S, for Socrates
Esperava que por esta altura os portugueses reconhecessem que Sócrates é apenas um e não vários, como chega a parecer. É o mesmo que atraiu toda a espécie de escandalos relacionados com a sua capacidade praticamente ilimitada de criar ilusões poderosas que foram sendo apanhadas aqui e ali, mas sem consequências, desde a licenciatura domingueira por fax ao fumo no avião, logo depois de ter lançado a lei absurda que americanizou os portugueses proibindo-os de fumar em vários locais. Não tem acontecido assim e continuamos a assistir a derrocada dos números que davam uma vantagem muito confortável ao PSD nem há um mês e meio atrás. Pedro Passos Coelho ter-se-á equivocado ao deitar abaixo o PEC, porque permitiu a Sócrates meter em campo a sua estratégia e ganhar a vantagem, quando devia te-lo deixado passar, por Portugal, com uma palmatoada, negociando condições e esperando que o PS caisse de maduro no final do ano. Porém o problema não reside tanto no erro estratégico de Passos Coelho e sim na capacidade de memória dos portugueses em relação às razões pelas quais José Sócrates não deve ser eleito. Porque a ser verdade que o PS ainda pode ganhar eleições, será verdade que os portugueses perderam a memória ou a capacidade de discernimento. E depois, se isso acontecer, não voltem a queixar-se!
